Vender um celular no cartão parece simples até você sentar pra fazer a conta do mês. Aquele parcelado em 10x que fechou a venda no fim do dia virou um desconto gordo quando o dinheiro caiu na conta. A taxa da maquininha come a margem silenciosamente, e muito lojista só percebe o tamanho do rombo quando compara faturamento bruto com o que entrou de fato no caixa.
No Single, o checkout da venda tem uma opção que resolve isso de forma direta: repassar a taxa da maquininha ao cliente. Em vez de absorver o custo de cada parcelamento, você passa esse valor pra composição final da venda e protege o preço combinado do aparelho. Neste guia, você vai entender quando faz sentido usar essa opção, como ela funciona no checkout e como configurar as maquininhas pra que o cálculo saia certo.
Por que a taxa da maquininha pesa tanto na venda de celular
Celular é um produto de ticket alto e margem apertada. Quando você vende um aparelho de dois ou três mil reais em dez vezes no crédito, a taxa cobrada pela maquininha pode ultrapassar cinco ou seis por cento. Em um produto onde a margem bruta já é controlada, isso significa literalmente trabalhar quase de graça naquela venda.
O problema é que o cliente raramente percebe esse custo. Pra ele, a diferença entre pagar à vista no PIX e parcelar em dez vezes no cartão é só uma questão de conveniência. Pro lojista, é a diferença entre fechar o mês no azul ou no vermelho. Quem não controla isso de perto acaba acreditando que vendeu bem só porque o faturamento bruto cresceu, quando na prática o lucro ficou na mão da adquirente.
Repassar a taxa ao cliente é uma forma de deixar essa conta transparente. O cliente escolhe como quer pagar e assume o custo daquela escolha, enquanto você mantém o preço do aparelho intacto.
Como cadastrar a maquininha no Single antes de usar o repasse
Pra que o repasse funcione no checkout, as taxas de cada maquininha precisam estar cadastradas no sistema. Essa configuração é feita uma vez e serve como base pra todos os cálculos futuros.
Dentro do Single, você cadastra cada maquininha informando o nome, como Stone, Cielo, Rede ou qualquer identificação que você use no dia a dia. Em seguida, informa a taxa do débito e as taxas de cada modalidade de crédito que a loja aceita.
Taxas por parcelamento
O cadastro permite adicionar quantas modalidades você precisar. Começa com crédito em uma vez e, usando o botão de adicionar parcela, você cria crédito em duas, três, quatro vezes e assim por diante, cada uma com sua taxa própria. Isso é importante porque a taxa muda conforme o número de parcelas, e cadastrar errado significa calcular errado na venda.
Se você trabalha com mais de uma maquininha, cadastre todas. É comum o lojista usar uma pra débito, outra pra crédito, ou alternar conforme a taxa oferecida pela adquirente no mês. Com todas registradas, o vendedor escolhe no momento da venda qual foi usada e o cálculo sai certo.
O repasse de taxa dentro do checkout da venda
Na tela de nova venda do Single, depois de montar o carrinho com o aparelho, acessórios ou peças que o cliente vai levar, você chega no checkout. Ali ficam os cartões com cada forma de pagamento disponível: dinheiro, PIX, cartão, aparelho (pra entrada em trade-in) e outros.
Quando você escolhe cartão, abrem os campos pra selecionar a maquininha, informar o número de parcelas, o valor e uma opção específica: repassar a taxa da maquininha ao cliente. Ao ativar essa opção, o sistema calcula automaticamente quanto precisa ser cobrado a mais pra que o valor líquido recebido corresponda ao preço real do aparelho.
Na prática, se o aparelho custa R$ 2.000 e a taxa do crédito em 10x é de 6%, o cliente vai pagar o valor ajustado na maquininha, e você recebe os R$ 2.000 cheios depois do desconto. Sem o repasse, você estaria recebendo cerca de R$ 1.880 nesse mesmo exemplo.
Combinando repasse com outras formas de pagamento
O checkout do Single trabalha com formas mistas. O cliente pode dar uma entrada em PIX, parte em dinheiro e parcelar o restante no cartão. Nesse cenário, o repasse incide apenas sobre a parte paga no cartão, mantendo as outras formas intactas. Isso dá flexibilidade na negociação sem que você precise fazer conta de cabeça pra proteger a margem.
Quando usar o repasse e quando absorver a taxa
Repassar a taxa nem sempre é a melhor estratégia comercial. Em algumas situações, absorver o custo faz parte da negociação e ajuda a fechar a venda. O importante é tomar essa decisão de forma consciente, e não por descuido.
Faz sentido repassar quando a venda já está praticamente fechada, quando o cliente escolheu parcelar em muitas vezes por conveniência e quando o produto tem margem apertada demais pra absorver mais um custo. Também é interessante quando a loja oferece o PIX com desconto como alternativa, deixando claro pro cliente que ele tem a opção de evitar o acréscimo.
Já absorver a taxa faz sentido quando você está disputando preço com um concorrente, quando o cliente é recorrente e você quer preservar o relacionamento, ou quando o parcelamento é curto e a taxa não compromete a margem. O Single permite que o vendedor escolha caso a caso, ativando ou não o repasse em cada venda.
Simule antes de combinar o preço com o cliente
Além do repasse direto no checkout, o Single tem um simulador de taxas que ajuda a entender quanto cobrar antes mesmo de registrar a venda. Você seleciona a maquininha, a modalidade de pagamento e informa quanto deseja receber líquido. O sistema devolve o valor que precisa ser passado na maquininha pra que esse líquido chegue até você.
Esse simulador é especialmente útil quando o cliente pede uma proposta por WhatsApp ou quando o vendedor precisa dar um preço final rápido no balcão. Em vez de arriscar errar a conta e perder margem, basta abrir o simulador, confirmar o valor e passar a informação com segurança.
Transparência com o cliente evita atrito
Uma boa prática é explicar o repasse ao cliente antes de ele ir pra maquininha. Deixar claro que o preço combinado é o preço à vista ou no PIX, e que o parcelamento tem um acréscimo correspondente à taxa, evita qualquer surpresa no momento do pagamento. A maioria dos clientes entende, principalmente quando a alternativa do PIX é apresentada com naturalidade.
Acompanhando o impacto do repasse no financeiro
Depois que a venda é finalizada, o Single registra os valores brutos e líquidos de cada forma de pagamento. Ao abrir a janela de pagamentos de uma venda específica, você consegue ver quanto foi cobrado no cartão, qual foi a taxa aplicada, qual o valor bruto e qual o valor líquido que efetivamente entrou.
Essa visão é importante por dois motivos. Primeiro, ela confirma se o repasse foi aplicado corretamente. Segundo, ela alimenta o resumo financeiro do analytics, onde você consegue acompanhar faturamento, custos e lucro mês a mês. Quando a loja repassa a taxa de forma consistente, o lucro mensal cresce de forma visível, e isso aparece nos relatórios.
Em contas no cartão sem o repasse, a diferença entre faturamento e lucro vai parecer sempre maior do que deveria. Com o repasse ativado, essa distância fica mais próxima do que o lojista espera ver.
Comece pelas vendas de maior valor
Se você nunca aplicou o repasse e tem receio de perder vendas, uma estratégia simples é começar pelas operações de maior valor. Celulares acima de dois mil reais, parcelados em muitas vezes, são justamente onde a taxa dói mais. Começar por aí protege a margem onde ela está mais ameaçada.
Cadastre as maquininhas que você usa, confira se as taxas de cada modalidade estão corretas e teste o repasse na próxima venda parcelada. Em poucas semanas, você vai ver no analytics financeiro do Single que o lucro por aparelho vendido subiu, mesmo sem alterar o preço de tabela da loja. Essa é a diferença entre vender muito e vender bem.