Toda loja de celular vive isso: você abre uma gaveta e encontra duas películas que o sistema jurava que não existiam. Ou o contrário, o sistema mostra cinco carregadores e na prateleira só tem três. Quando o estoque começa a divergir da realidade, cada venda vira uma dúvida e cada conferência vira um pequeno incêndio.

O ajuste de estoque no Single existe justamente pra isso: corrigir a quantidade de produtos e peças sem precisar apagar movimentações antigas nem inventar entradas falsas. Neste guia você vai ver como funcionam os ajustes, quando usar entrada ou saída, o que escrever no motivo e como manter o histórico organizado pra não perder o rastro do que aconteceu.

Por que o estoque diverge no dia a dia da loja

Antes de falar da ferramenta, vale entender o problema. Na rotina de uma loja pequena, o estoque não desanda por um único motivo. Ele vai se desalinhando aos poucos, num movimento silencioso que só aparece quando alguém para pra contar.

Peças usadas em um conserto que ninguém baixou. Produto que caiu e quebrou e virou perda sem registro. Fornecedor que mandou uma unidade a mais na caixa e ninguém percebeu no recebimento. Vendedor que trocou uma película por outra na hora do atendimento. São ajustes pequenos, mas que somados fazem o estoque parecer uma ficção.

Quando a Jamily, dona de assistência, começa a perceber que a bateria que ela ia usar em um serviço não está mais na gaveta, o problema não é a bateria em si. É que ela deixa de confiar no que o sistema mostra. E quando o lojista perde a confiança no próprio estoque, ele passa a conferir tudo fisicamente, o que consome tempo que deveria estar no atendimento.

Como funciona o ajuste de quantidade de produto no Single

O ajuste de quantidade de produto no Single é uma tela simples, feita pra resolver a divergência sem complicação. Você busca o produto pelo código ou nome, confere o estoque atual que o sistema mostra e escolhe o tipo de ajuste: entrada ou saída.

A entrada é quando o estoque real é maior que o do sistema. Achou dois carregadores a mais na caixa? Entrada de duas unidades. A saída é o oposto: o sistema mostra mais do que realmente existe. Uma capinha sumiu ou quebrou? Saída de uma unidade.

Depois de escolher o tipo, você informa a quantidade e, principalmente, o motivo do ajuste. Esse campo é obrigatório e é ele que vai aparecer na descrição da movimentação lá no histórico do produto. Não é só burocracia: é o que permite, meses depois, alguém entender por que aquele número mudou.

Exemplos práticos de motivo

Vale a pena escrever motivos que façam sentido pra quem for consultar depois. Alguns exemplos que funcionam bem:

  • Correção de contagem física: quando a diferença aparece numa conferência de rotina.
  • Perda ou quebra: quando o produto se danificou e virou prejuízo.
  • Erro de lançamento: quando a entrada anterior foi feita com quantidade errada.
  • Reposição interna: quando um produto foi usado dentro da loja e não em uma venda.

Evite motivos vagos do tipo "ajuste" ou "correção", sem explicar o que aconteceu. Daqui a três meses, ninguém vai lembrar.

Ajuste de quantidade de peça: a mesma lógica, aplicada à assistência

Pra quem trabalha com assistência técnica, o ajuste de peça segue o mesmo padrão do produto, mas com um peso diferente. Peça em loja de celular é dinheiro parado em coisa pequena: display, bateria, conector de carga, câmera. Perder o controle disso significa não saber quanto foi realmente investido em cada conserto.

Na tela de ajuste de peça, você busca a peça pelo código ou nome, o sistema mostra o estoque atual, você escolhe entre entrada e saída, informa a quantidade e registra o motivo. Simples assim.

Onde isso costuma pesar mais? Em situações como peça danificada no transporte, peça usada em um teste de bancada que não virou serviço, ou uma tela que veio com defeito de fábrica e foi descartada. Cada uma dessas situações merece um ajuste com motivo claro, porque a categoria da movimentação depois vira análise financeira.

Quando ajustar e quando lançar uma nova entrada

Uma confusão comum: qual a diferença entre fazer um ajuste de entrada e lançar uma nova entrada de estoque via lançamento de produto ou peça?

A diferença está na origem da movimentação. Se você comprou peças de um fornecedor, o certo é usar o lançamento de estoque, informando fornecedor, custo unitário e anotação. Isso mantém o custo médio calculado corretamente e vincula a entrada ao fornecedor no histórico.

O ajuste de entrada existe pra casos em que não há uma compra por trás: você achou o produto que estava perdido, corrigiu um erro de contagem, recebeu um brinde do fornecedor que não foi faturado. Nesses casos, o ajuste é a ferramenta certa, porque não deveria alterar o custo médio nem inventar uma compra que não aconteceu.

A regra prática é essa: comprou de alguém, use lançamento. Está corrigindo uma divergência interna, use ajuste.

Ajuste de preço de venda: quando a margem precisa mudar

Além do ajuste de quantidade, o Single tem uma tela específica pra ajuste de preço de venda de produto. Ela serve pra reajustes comerciais, correções de valores errados ou atualizações de tabela.

Você busca o produto, o sistema mostra o preço de venda atual e você informa o novo preço. Pronto. A partir dali, todas as vendas passam a usar o novo valor, mas as vendas antigas continuam registradas com o preço praticado na época, o que é fundamental pra qualquer análise histórica não ficar distorcida.

Esse recurso é útil em situações comuns do dia a dia: fornecedor subiu o preço da capinha e você precisa repassar; um acessório saiu de linha e você quer queimar estoque; uma película nova entrou na loja e o preço inicial estava desalinhado com o mercado. Em vez de sair da tela de venda pra recalcular, você atualiza o preço uma vez e o sistema segue com o valor certo.

O histórico de movimentações é o que dá segurança ao ajuste

Todo ajuste feito no Single fica registrado no histórico de movimentações do produto ou da peça. Isso significa que você consegue abrir os detalhes de um item e ver, em ordem cronológica, cada entrada, cada saída, cada ajuste, com data, quantidade e a descrição da movimentação.

Isso muda o jogo em dois momentos. Primeiro, quando algo não bate: você abre o histórico e reconstrói o que aconteceu, em vez de ficar tentando lembrar. Segundo, quando outra pessoa da equipe pergunta por que determinado produto sumiu do estoque: em vez de reunião pra descobrir, é só consultar.

O Carlos, aquele lojista experiente que gosta de ver o número, valoriza justamente isso. Ele não quer saber só a quantidade atual. Ele quer saber por que a quantidade é essa. E o histórico de movimentações responde essa pergunta sem precisar chamar ninguém.

Boas práticas pra manter o estoque confiável

O ajuste é uma ferramenta de correção, não uma muleta pra usar todo dia. Se você está ajustando o mesmo produto toda semana, o problema não está no ajuste: está no processo que gera a divergência.

Algumas práticas que ajudam a diminuir a necessidade de ajuste:

  1. Baixe as peças na finalização do serviço: ao concluir um serviço no Single, informe as peças utilizadas. Isso já dá saída no estoque automaticamente.
  2. Confira o recebimento antes de lançar: antes de bater o lançamento de estoque, confira se a quantidade da caixa bate com a nota do fornecedor.
  3. Faça contagens periódicas: uma contagem mensal dos itens de maior giro é suficiente pra detectar divergências antes de virarem problemas grandes.
  4. Padronize os motivos de ajuste: combine com a equipe uma lista curta de motivos padrão. Isso facilita a análise no histórico.

Próximos passos

Se o seu estoque hoje não está confiável, o caminho é começar pelo básico: fazer uma contagem física dos itens principais, comparar com o que o Single mostra e usar os ajustes pra alinhar tudo. Depois disso, o segredo é manter a disciplina de dar baixa nas peças usadas em serviços e conferir os recebimentos.

Com o estoque batendo com a realidade, todas as outras decisões ficam mais fáceis: quanto comprar, quanto investir, quanto está parado. E o Single passa a ser a fonte de verdade da sua loja, e não mais uma referência que precisa ser conferida a cada consulta.